O Cotidiano de Trabalho do Deficiente


 

Esse projeto – designado Projeto Sombra – foi requisitado por um dos nossos módulos de Terapia Ocupacional chamado A.R.T. (atividades e recursos terapêuticos) com o intuito de acompanharmos e relatarmos o cotidiano de algumas pessoas. A escolha ficava a critério do próprio grupo, o importante era acompanhar, perceber e sensibilizar os olhos para o cotidiano daquilo que foi escolhido. Por isso o nome “sombra”.

 

Escolhemos o tema : ” O cotidiano de trabalho do deficiente “.

Acompanhamos o dia-a-dia de 6 pessoas com deficiências variadas na cidade de Santos, SP. Ao pesquisarmos sobre esse tema nos deparamos com muitas informações talvez não sabidas anteriormente. No Brasil, 25 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência, sendo as principais causas apontadas como doenças e acidentes. Ser tratado com igualdade é o maior objetivo de qualquer deficiente.

 

Apenas 36% deles possuem trabalho e desses, somente 10% possuem carteira assinada.

 

Posto Gaivota com Carlos.

Em relação ao projeto, acompanhamos em um posto de gasolina (Gaivota) três deficientes: Carlos – deficiente físico (cadeirante); Romualdo – deficiente físico (cadeirante); Pedrinha – deficiente mental (Síndrome de down) e o responsável pelos funcionário do posto: Rodrigo Andrade. Também acompanhamos dois deficientes visuais: José Samuel e Álvaro. E o Douglas – deficiente físico (amputado).

 

Agora relatarei um pouco mais sobre cada um deles.

 

Carlos – 20 anos – deficiente físico, trabalha no Posto Gaivota. Ao levar um tiro ficou paraplégico, fez um ano de fisioterapia e percebeu que não melhorava. Aceitou a situação e teve o apoio da família em procurar emprego e trabalhar. Tem um filho e possui um carro adaptado para deficiente, com sensor na embreagem. Sonho: terminar os estudos e fazer uma faculdade. 

 

Romualdo – 30 anos, deficiente físico, trabalha no Posto Gaivota há 4 anos. Aos 22 anos, levou um tiro ao tentar reagir a um assalto e ficou paraplégico. Gostava muito de jogar bola nos fins de semana e hoje, devido ao esforço que necessita fazer, diz que se sente cansado para praticar esportes. O aceitamento foi difícil. ” Não queria nem olhar para cadeira de rodas”. Mandou seu currículo para o posto, foi aprovado e trabalha 10 horas por dia. Tem um bom relacionamento com seus colegas de trabalho, comprou um carro adaptado e mora em São Vicente com familiares. Sonho: trabalhar e ter sua casa própria. 

 

Pedrinha – 33 anos, Síndrome de Down, trabalha no Posto Gaivota há 5 anos. Gosta muito de trabalhar no posto e diz que é muito bem tratado. Vai ao trabalho com a perua da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e estuda nesse local após o expediente. Joga capoeira. Acha o salário bom e a caixinha boa. Mora com 3 irmãos. 


Andrade  responsável pelos funcionários do Posto Gaivota, trata a todos com igualdade e diz que se relacionar bem com os funcionários é primordial para um bom trabalho em equipe. 


Samuel – 25 anos, vendedor de balas na orla, deficiente visual há 23 anos. Devido uma doença, ficou cego quando tinha apenas 2 anos de idade e necessitou amputar os olhos. Não lembra de nada pois era muito pequeno. ” As pessoas se apagam da memória, vão sumindo.” Mora na Praia Grande, sozinho e pega dois ônibus para chegar em Santos. Recebe uma pequena ajuda de custo do governo, mas que segundo ele “não dá pra nada”. Sabe identificar as notas e as moedas, e dobra as notas cada uma de uma maneira distinta para saber diferenciar depois. Já esteve no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e agora São Paulo. Sonho: ser advogado, ter sua casa própria e andar de avião. 


Douglas – 22 anos, vendedor de balas no semáforo, deficiente físico. Mora no Guarujá e foi criado pela tia. Aos 2 anos foi atropelado e houve necessidade de amputar uma perna. Vendia bala no ônibus mas não gostava de fazer isso. No semáforo se sente mais livre. Quando era criança, estranhava o fato das pessoas perguntarem sobre como era não ter uma perna. Fez esporte adaptado e gostava de participar de tudo na escola, sempre ativo. “Continuo sendo a mesma pessoa.” Está aprendendo a surfar e a nadar. Sonho: terminar o ensino médio. 


Álvaro – deficiente visual, analista de sistemas na PRODAN. Trabalha com informática há mais de 30 anos e começou como programador nessa mesma empresa. Em seu computador foi instalado um programa importado que faz a leitura do conteúdo da tela. Cursou jornalismo e fez curso de programador de computador. Relatou que no início foi difícil encontrar um emprego pois ainda havia muita dúvida por parte dos empresários sobre a atuação de deficientes visuais. E naquela época ainda não havia muitos recursos para cegos e nem o braile. Hoje considera-se bem remunerado. Vai ao trabalho de carro com a esposa que trabalha no mesmo local e quando precisa ir de metrô não vê nenhuma dificuldade. Segundo ele, lá há pessoas que ajudam os deficientes: “jovem cidadão”. Sua deficiência é congênita, não houve desenvolvimento do nervo óptico. 



Posto Gaivota com: Rodrigo Andrade, Pedrinha, Romualdo e Carlos.


 

 

 

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