(ANAIS) A FORMAÇÃO DE TERAPEUTAS OCUPACIONAIS EM UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL: TENSÕES E POSSIBILIDADES

Borba, P. L. O.; Liberman, F.; Marquetti, F.; Maximino, V. S.; Novelli, M. M. P. C.; Santos, M. C.; Silva, C. C. B.; Uchôa-Figueiredo, l. R.

Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, Campus Baixada Santista

e-mail – femarquetti@uol.com.br; patricialemeborba@hotmail.com

Em um mundo marcado pelas contradições do contemporâneo, o campo da formação e da ação profissional estão permeados por tensões como também por inúmeras possibilidades. Se por um lado as políticas públicas investem na formação de profissionais para compor equipes de trabalhos intersetoriais e interdisciplinares, há ainda uma prática de formação altamente especialista e tecnicista no interior dos cursos de graduação. O Curso de Terapia Ocupacional da UNIFESP, em conjunto com outros 5 cursos (Educação Física, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Serviço Social) tem construído seu Projeto Político Pedagógico na contramão da especialização, criando estratégias coletivas, baseadas na educação interprofissional e no aprendizado através da experiência em campo, com diferentes populações, contextos, e problemáticas. A proposta curricular do curso pauta, desde o 1º semestre, o diálogo, de forma articulada, nos eixos que são comuns aos 5 cursos, e a partir do 2º ano, no eixo comum, nomeado Trabalho em Saúde, expõe com cuidado os estudantes, agrupados em grupos mistos, ao contato com a realidade de pessoas no próprio território em que elas vivem buscando levar os estudantes a refletir acerca das diferentes facetas que compõem a saúde, a qualidade de vida e o bem-estar social. A formação interprofissional ocorre ao longo de todo curso, sendo que nos últimos semestres, a partir dos módulos de práticas aplicadas e no estágio, a ênfase é baseada na formação específica. Esta proposta traz tensões e possibilidades entre o fazer comum e o fazer específico para cada profissionalidade, uma vez que a construção não se dá apenas a partir do núcleo já consolidado de cada profissão, mas desafia a todos os protagonistas a problematizarem, e produzirem um conhecimento pautado nos encontros e na invenção que cada caso e ou situação real nos oferece. O desafio da proposta efetiva-se através de inúmeras oportunidades de experimentação e reflexão articulando teoria e prática do trabalho em equipe, o que traz tensão e possibilidade. E é nesse processo que se promove a construção do perfil profissional, mas que também se desdobra em outros questionamentos para o interior da profissão. Desse modo, tem-se percebido a importância de trabalhar com o estudante a percepção de que as diferenças e semelhanças profissionais são tanto inter quanto intraprofissões, desnaturalizando a identidade da especialidade. Também tem colocado aos docentes, a direção de se trabalhar aspectos formativos para que o futuro profissional tenha flexibilidade e segurança, e consiga sustentar essa tensão aproveitando as oportunidades ofertadas pelo curso/campus para a constituição de conhecimentos inovadores no campo da Terapia Ocupacional, mantendo a centralidade no cuidado e a avaliação e reflexão permanente sobre a própria prática e suas implicações.

Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 22, Anais (suplemento especial). p. 1-43, out. 2011

 

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