Experiência: Vestindo a cadeira de rodas

por Alynne Albuquerque

Durante o módulo de Saúde Física, ministrado pela Profª  e Terapeuta Ocupacional Ellen Ricci, tivemos uma aula com o Luciano Marques, que é presidente do Conselho Municipal dos Diretos das Pessoas com Deficiência de Santos – CONDEFI (saiba mais sobre ele clicando aqui) e falou conosco sobre cadeiras de rodas.

A aula foi completíssima com informações, teoria, relatos de experiência do próprio Luciano e, no final, uma vivência prática para os alunos do 3º ano de Terapia Ocupacional.

Relato de Experiência Cadeira de Rodas

Ele sempre enfatizou, durante as conversas e a aula, a importância da pessoa à frente da deficiência e como principal ator da sua reabilitação e da sua vida. Uma de suas frases ficou marcada pra mim:

Eu não uso cadeira de rodas, eu visto a minha cadeira. Assim como você veste essa calça ou outra roupa…

Ainda nesse discurso, ao falarmos de acessibilidade e mobilidade, ele nos contou que muitos costumam tratar a cadeira de rodas como “bagagem” (em ônibus rodoviários e aviões, por exemplo) e que na verdade elas são uma extensão do seu corpo; que o permite se locomover, assim como nós fazemos com as nossas pernas.

O Luciano levou duas de suas cadeiras de rodas para nos mostrar na prática algumas das coisas que tinha citado na apresentação. Desmontamos, montamos novamente, sentimos a diferença entre uma e outra (peso, equipamentos, etc.) e ao final pudemos “vesti-las” para vivenciar a locomoção através da cadeira de rodas

Num primeiro momento ele nos instrui e foi dando dicas sobre o manejo das cadeiras, ainda dentro da sala de aula. Andamos pra frente, pra trás, freamos sem empinar a cadeira e cairmos, giramos 360º com um só movimento. Depois de estamos mais familiarizadas com nossas “novas pernas” fomos dar uma volta na faculdade a fim de identificar as barreiras físicas do local, observar o olhar do outro sobre a pessoa cadeirante e outras questões que pudessem aparecer.

Assim que saímos da sala já nos deparamos com o piso tátil – faixas em alto relevo no chão que auxiliam a locomoção de pessoas com deficiência visual – que fazia a cadeira tremer e me deu muita instabilidade e insegurança para continuar o percurso. Mas, fomos adiante.

A nossa ideia era descer no elevador principal da faculdade (destinado prioritariamente à pessoas com dificuldades de locomoção), mas ao chegar no nosso andar ele encontrava-se cheio de alunos. Um deles até se ofereceu para sair, mas preferimos esperar. Sem sucesso de encontrá-lo vazio o suficiente para a entrada e manejo da cadeira de rodas, fomos até o outro elevador (destinado também ao transporte de cargas, macas e outros objetos maiores) que é bem maior e permitiu a entrada das duas cadeiras sem nenhum problema.

Demos a volta na faculdade, pois esse elevador fica nos fundos, passando pelo saguão e voltando ao elevador principal. Enquanto esperávamos, encontramos mais uma vez com o aluno que havia se oferecido para descer do elevador anteriormente. Ele ficou aguardando atrás de nós, até que algumas das nossas colegas de classe disseram “acho melhor irmos de escada”, tendo em vista que este elevador é bem menor e não caberia em apenas uma viagem as duas cadeiras e as alunas que acompanhavam. Depois que elas foram a caminho da escada, o aluno nos olho meio “culpado” e falou que achava melhor ir de escada também.

Conseguimos manejar bem a cadeira, mesmo o elevador sendo menor e apertamos o botão para voltar ao segundo andar. O elevador parou no primeiro, pois uma outra aluna havia solicitado e ela estava com uma mala de viagem enorme. Quando nos viu dentro do elevador sem espaço para sua mala, ela “bufou” como quem não estava satisfeita em ter que esperar.

Por fim, voltamos a sala, comentamos sobre a experiência e outras alunas também tiveram a oportunidade de andar com as cadeiras dentro da sala de aula enquanto nos despedíamos do Luciano e finalizávamos a aula.

Gostaria de aproveitar o espaço para agradecer a Profº Ellen pelas vivências em sala de aula, ao Luciano pela disponibilidade, pelo conhecimento passado e pela oportunidade de vestir a sua cadeira.

Não teria maneira melhor de finalizar esse post do que trazendo o significado da palavra empatia:

“Empatia é colocar-se no lugar do outro, porém sem perder nunca essa condição de “como se”. A empatia implica, por exemplo, em sentir a dor ou o prazer do outro como ele o sente e perceber suas causas como ele as percebe, porém sem perder nunca de vista que se trata da dor ou do prazer do outro.”

Confira o site do Luciano Marques, com todos os seus contatos:  http://www.lucianomarques.com.br/index.php

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