Experiência: Projeto Sombra

No post de hoje, vamos trazer as experiências e relatos de duas alunas do Projeto Sombra, um trabalho de campo proposto no Módulo Atividade e Recurso Terapêutico do primeiro termo de Terapia Ocupacional da Unifesp. O tema do projeto foi o trabalho realizado com mulheres na Zona Noroeste de Santos, um projeto chamado Arte no Dique.  
Mulheres-da-Noro

 

Stephanie Homsi, aluna da T.O 11 contou para  gente: 

“Realizar o Projeto Sombra retratando o cotidiano das Mulheres que frequentam o Arte no Dique foi uma experiência riquíssima. Primeiramente, acompanhei todo o trajeto juntamente com as meninas do terceiro ano, para recolher as senhoras em casa e irmos ao Instituto, como ocorre toda quarta-feira. E então, comecei a conhecê-las e participar da atividade que lá se sucede.

Inteirar-me da história de vida de cada uma delas foi uma grande lição. Todas são verdadeiras vencedoras que narram sobre suas difíceis vivências de uma maneira leve, inacreditavelmente. Senti que elas não desejam despertar piedade em ninguém, e sim empatia, estimulando o lado que todo profissional da saúde precisa ter afloradíssimo, aquele onde ‘a sua dor me importa como se fosse minha’.

Posteriormente, indo à casa de 2 das mulheres, pude absorver uma percepção maior em relação ao que realmente elas fazem no dia a dia. A humildade. As recepções afetuosas. A confiança que se constrói ao demonstrarmos interesse. O medo de cair, causando o receio de caminhar, mesmo até o portão. O acompanhamento domiciliar decorrente da frequente ausência da senhora no Projeto. A falta de companhia para um baile funk. As pessoas que se afastaram pelo puro preconceito leigo com respeito à bactérias. A experiência na casa Anchieta. O transtorno bipolar, os 4 AVE’s e o período em coma. O amor da família. A receita famosa do bolo de abobrinha. A força que surge misteriosamente no momento em que se pensava não ter mais estrutura emocional. O sonho de caminhar sozinha. A fé que conquistarão seus anseios. A gratidão.

Reproduzir a massagem, o diálogo e as citações que nos remetiam à elas, me emocionou imensamente e intensamente. A satisfação em ouvir ”eu também quero conhecê-las!” foi impagável. Conseguir expressar através de uma apresentação, o merecimento de toda admiração e respeito que cada uma das mulheres tem de nós, fez do meu dia muito mais feliz.”

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Foto da turma T.O 11 durante a apresentação do projeto.

Sulamita Batista, aluna da T.O 11 também trouxe seu relato para nós:

“Um dia antes de escolhermos a população para o nosso Projeto, Flavia Liberman visitou nossa turma e nos contou com um pouco da sua experiência com as Mulheres do Dique. Fiquei encantada e no dia seguinte, sugeri ao meu grupo que conhecêssemos o cotidiano dessas mulheres,  ficamos todos muito entusiasmados. Meu Projeto contou com a participação de três mulheres, todas com uma linda história de vida, cheia de vitórias em suas batalhas diárias. Conheci uma senhora com transtorno bipolar, relatou que é tão controlado que às vezes ela mesmo esquece, ressaltou como o grupo mudou sua vida. Conheci também, outra senhora que havia sofrido 4 AVC’s, tem andado desanimada e não vai mais aos encontros, mas o grupo não a deixou e todos já foram até a a sua casa, o que foi lindo de se ver. Por último, conheci uma moça, a participante mais nova do grupo, perdeu todo seu círculo social depois de13537543_1197535863623868_5573390587457159592_n uma doença bacteriana, encontrou no grupo novas amizades, um novo círculo. Durante meu projeto, percebi a importância e a força dos laços. Essas mulheres tem apoiado umas as outras, todas com trajetórias de vidas distintas, cada uma com uma energia diferente, pude ver o significado do grupo para cada uma delas em um simples encontro. Em sala de aula, representamos grande parte do nosso Projeto por meio de uma flor de EVA, a ideia inicialmente estava atrelada ao que remeteria uma mulher, mas depois percebi que o centro daquela flor era o grupo e cada uma das pétalas representaria uma daquelas mulheres e todas estariam unidas por uma coisa só. Só tenho a agradecer a essas mulheres, por essa experiencia maravilhosa, onde tive certeza de que a Terapia Ocupacional gira em torno do amor e cuidado ao próximo”. 
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“O Arte do Dique é mais bonito quando elas estão reunidas!” – Stephanie Homsi

 

 

 

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