Grupo x Oficina – Qual a diferença?

Olá, leitores! No post de hoje quis trazer um tema que para muitos pode ser óbvio, mas tenho me deparado bastante no estágio com pessoas (e aqui leia: profissionais) que não fazem distinção entre “dinâmica, atividade, grupo, oficina…“, fazendo a maior confusão com todas essas nomenclaturas.

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Os famosos “grupos terapêuticos” ou “oficinas terapêuticas” são uma das estratégias de intervenção bastante utilizadas pelos Terapeutas Ocupacionais, que podem ser realizados com diversos propósitos, como geração de renda, convivência, educação, reflexão, inclusão social, entre outros; e baseado na ideia de que o fazer junto tem efeito terapêutico.

Primeiro de tudo, temos que entender que nem todo grupo é terapêutico. Grupo é definido como “um conjunto de pessoas ou coisas dispostas proximamente e formando um todo.” Uma sala de aula é formada por um grupo de pessoas, mas isso não quer dizer que o que é feito neste/por este grupo seja com intuito terapêutico.

Zimerman (2000) indica algumas condições básicas para caracterizarmos um grupo, quer sejam de natureza operativa ou terapêutica: “Um grupo não é meramente um somatório de pessoas; pelo contrário, ele se constitui como uma nova entidade, com leis, mecanismos próprios, específicos e pactuados, onde todos os integrantes estão reunidos em nome de uma tarefa ou motivo em comum. Seu tamanho não pode exceder o limite que ponha em risco seu funcionamento e sua comunicação, seja ela visual, auditiva ou conceitual.”

Mas qual a diferença entre grupo e oficina? Consultando o dicionário online Michaelis, oficina é um lugar onde se exerce um ofício, um curso de curta duração que envolve um trabalho prático e partilha de experiências. E grupo é um conjunto de pessoas que forma um todo, conjunto de seres ou coisas previamente estabelecidos para fins específicos (MICHAELIS, 2017).

Diante disto, compreendemos que tanto os grupos como as oficinas podem ter os mesmos objetivos, contudo, sua metodologia e/ou recurso é diferente. As oficinas são um tipo de grupo, que está relacionado necessariamente ao fazer, à ação humana prática, promovendo aprendizagem e experimentação compartilhada, contando com um caráter ativo e dinâmico dos sujeitos (SILVA, 2007).

Comumente, os grupos são pensados como espaços de escuta clínica e formação de vínculos afetivos, enquanto as oficinas são percebidas como lugar de reabilitação (destacando-se a aquisição de habilidades para inserção no mercado de trabalho e para socialização) (BARROS et al., 2001).

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Fonte: Prefeitura de Arujá (aqui)

Por mais que possa ser redundante para alguns, cabe enfatizar que o oficineiro tem uma função diferente do terapeuta ocupacional, pois ele tem o domínio da técnica (por exemplo, o músico que ensina o processo de composição de um rap, um artesão). O terapeuta ocupacional pode dominar a técnica, mas isso não é o essencial, tampouco imprescindível a este profissional. Ele deve ser capaz de promover o elo entre a população atendida e adequação da proposta de ação, analisar a atividade e planejar mediante os objetivos da mesma, os efeitos e afetos produzidos. Dificilmente o enfoque é dado ao produto final da oficina, mas ao processo do fazer, nos seus sinais, simbologias e representações mais sutis.

Assim, o terapeuta ocupacional é capacitado para, junto ao oficineiro (se necessário), analisar o processo do fazer, interpretando os significados, demandas e captando e suscitando sentidos, através da experimentação. A técnica é dependente da interpretação e apreensão da realidade, promovendo a experiência (aquilo que toca) e não a informação, tendo em vista ampliar campos de ação, permitir aos sujeitos intervir em seus contextos (SILVA, 2007) e alcançar a tão almejada autonomia.

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Fonte: Instituto Bairral (aqui)

Referências e recomendações de leitura:
BARROS, R. D. B. A desinstitucionalização da loucura, os estabelecimentos de cuidados e as práticas grupais. In: JACÓ-VILELA, A. M.; CEREZZO, A. C.; RODRIGUES, H. B. C. (Org.). Clio – psyché hoje. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 2001, p. 65-70

Aline Cristina de Morais. Oficinas, grupos e atividades no âmbito do SUAS. Disponível em: https://craspsicologia.wordpress.com/2017/03/06/oficinas-grupos-e-atividades-no-ambito-do-suas/. Acesso em 05/05/2017

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos básicos das grupoterapias. 2. ed. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

MONTREZOR, J. B. A Terapia Ocupacional na prática de grupos e oficinas terapêuticas com pacientes de saúde mental. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos, v. 21, n. 3, p. 529-536, 2013. (aqui)

Elizabeth Araújo Lima. Oficinas, Laboratórios, Ateliês, Grupos de Atividades: Dispositivos para uma clínica atravessada pela criação. Disponível em: http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/beth/oficinas.pdf. Acesso em 05/05/2017

JUCÁ, V. J. S. Atuação psicológica e dispositivos grupais nos centros de atenção psicossocial. Mental – ano VIII – n. 14 – Barbacena – jan.-jun. 2010 – p. 93-113 (aqui)

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