III Selfie Azul & Dia 2 de abril: Dia mundial da conscientização do autismo.

Como manda a tradição, mais um ano seguimos com a Selfie azul do Atividart na UNIFESP-BS, esse ano nossa foto vem junto com entrevistas com pesquisador da área, Profª Drª Andrea Jurdi, docente do curso de Terapia Ocupacional na Universidade Federal de São Paulo, campus Baixada Santista, acompanhe:

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  1. Qual a importância de ter um dia para o autismo (2 de abril)?

Na verdade o dia 02 de abril foi criado pela ONU em 18 de dezembro de 2007 para conscientizar a população mundial sobre o Autismo, um transtorno no desenvolvimento do cérebro que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Pode ser chamado de Dia Mundial da Conscientização do Autismo ou Dia Mundial do Autismo. Essa iniciativa foi muito importante e tem ajudado a alertar sociedade, governantes sobre o autismo, derrubando preconceitos.

  1. Quais as polêmicas envolvem o autismo nos últimos tempos?

Não sei se há polêmicas, mas, sim, um processo de descobertas sobre como lidar com as pessoas que tem o autismo. Com a evolução dos estudos fatos novos foram e estão sendo descobertos sobre o autismo, o que permite que nos voltemos sobre como essas pessoas aprendem, como sentem e expressam seus sentimentos. A delimitação do quadro dos Transtornos do Espectro Autista tem aumentado o numero de crianças com esse diagnóstico e tem provocado uma percepção de uma epidemia de casos de autismo.

Acredito que podemos pensar em polêmicas quando diversas linhas teóricas se confrontam para defender suas concepções de autismo. Outro fato importante são as Associações de pais que são muito fortes e influentes politicamente e interferem em muitas decisões e construções de políticas públicas sobre o autismo.

  1. Quais as instituições que o terapeuta ocupacional pode trabalhar com o autismo?

O terapeuta ocupacional pode trabalhar com essas crianças nos CAPSij, na atenção básica, em escolas de educação regular (auxiliando nos processos de inclusão escolar), em clínicas e consultórios particulares, em instituições especializadas para pessoas com autismo.

  1. Quais as intervenções utilizadas e qual o papel do terapeuta ocupacional?

O terapeuta ocupacional tem como papel favorecer que essa criança, jovem ou adulto com autismo possa exercer suas atividades cotidianas: brincar, trabalhar, estudar, ter atividades de lazer e cultura.

O terapeuta ocupacional deve atuar no sentido de favorecer que essas pessoas possam criar laços sociais, conviver e compartilhar experiências diversas. Para isso é importante que o terapeuta ocupacional atue no sentido de propiciar as pessoas com autismo e suas famílias um percurso na vida social.

Nesse sentido as intervenções são diversas desde as intervenções clínicas a partir de intervenção precoce, o acompanhamento em escolas, oferecer grupos terapêuticos, oficinas de atividades e expressivas.

  1. Quais são os principais desafios na atuação desse público?

Os desafios encontrados advêm das características que as pessoas com TEA apresentam: problemas nos processos de comunicação, na interação social e no comportamento. Quando falamos sobre um espectro, estamos falando sobre uma ampla variedade de sinais e de características que não são comuns para todos. É importante pensar que o autismo se manifesta de diferentes maneiras e não é igual de uma pessoa para outra. Temos pessoas que não falam, outras que tem uma fala estereotipada, outras se comunicam bem.

Para o profissional é importante conhecer cada uma dessas pessoas, suas características e tentar superar os limites colocados pelo transtorno.

  1. E qual o seu posicionamento enquanto Terapeuta Ocupacional em respeito ao “boom” do autismo?

Não acho que tenha um boom do autismo. O que ocorre é que o DSM-V ao colocar sob a categoria de Transtorno do Espectro Autista os transtornos desingrativos da infância, o transtorno generalizado do desenvolvimento não especificado, a Síndrome de Asperger, e outras síndromes, ampliou o Espectro e assim temos a percepção de que existe esse aumento de casos. Há as pessoas que contestam esse novo agrupamento e acredito que isto possa causar equívocos em vários diagnósticos.

  1. Recomendações bibliográficas são aceitas também.

Mercadante, M.T.; Rosário, M.C.R. Autismo e Cérebro Social. São Paulo: Segmento Farma, 2009.

López, R.M.M. Olhares que Constroem – a criança autista das teorias, das intervenções e das famílias. São Paulo: Unifesp, 2014.

Nascido em um Dia Azul

Sinto-me só

Filme: Mary and Max (lindo!!!)

 

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