(Com)fiar

tsuruExperiência de aula de ART I, por Neith Martinha

No dia 09 de Março de 2018, durante a aula de ART I – Cotidiano, fomos separados em duplas para que conversássemos sobre os nossos hábitos e possíveis transformações sofridas, permitindo a identificação entre nossas semelhanças e singularidades. A turma toda se juntou, então, em roda e cada um foi retratado pelos olhos do outro. A dinâmica trouxe à tona a importância de se revelar ao próximo, pois isto permite uma construção mútua de um novo jeito de nos enxergarmos.

Após essa atividade, um grupo compartilhou seus conhecimentos sobre a dobradura do tsuru, a garça japonesa, explicando seu significado, origem e confecção. Pude perceber que aqueles com maior facilidade voluntariamente auxiliaram os demais, de forma que todos atingiram o objetivo, mesmo os que desconfiavam que seu pedaço de papel poderia se tornar uma ave.

O verbo “confiar” foi escolhido ao fim da aula para defini-la. Além de nos abrirmos e acreditarmos em nossos colegas, a palavra ganhou o sentido de “fiar com”, pois entrelaçamos visões e conhecimentos e construímos algo novo. É esta confiança que permite um retângulo se transformar em um pássaro e uma velha percepção se transformar em uma nova.

Anúncios

Experiência: confecção de órteses.

capa

Por: Ingrid Fonseca

No dia 5 de maio de 2017, a turma do terceiro ano de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Paulo tiveram a experiência de confeccionar algumas órteses na aula de ART V, de Tecnologia Assistiva.

A professora Ana Célia nos deu um caso fictício, de um homem de 40 anos que se chama José e que sofreu uma Lesão Medular por arma de fogo ao nível de C6. Também nos informou que José gostava muito de jogar baralho e que era muito vaidoso.

Devido a essas informações, conseguimos pensar nas atividades que possivelmente seriam importantes para José. Como ele era um homem vaidoso, possivelmente ele faria as atividades básicas de higiene, como se barbear, pentear o cabelo, entre outros.

Pensando nisso, a professora nos deu sete atividades sendo elas de vida diária e instrumental, e nos dividimos a sala em grupo de trios.  As atividades eram:

  1. Alimenta-se sozinho.
  2. Higiene bucal.
  3. Escrita manual.
  4. Jogar baralho.
  5. Uso do computador.
  6. Barbear.
  7. Leitura.

Em todas as atividades, focamos em quais movimentos e músculos o José tem preservado. Como músculo-chave ele tem o Extensor Radial do Carpo; os movimentos remanescente são abdução do braço, flexão do antebraço e extensão do punho e tem preservada como função manual a pressão palmar, pinça-chave e flexores dos dedos.

ORTE.jpg
Turma 10 confeccionando órteses.

Depois de todas essas informações começamos os trabalhos. Usamos muita a tesoura, cola, EVA, espaguete para piscina, velcro, palito de churrasco, palito de sorvete, cartolina, tecido, muita muita muita cola quente mesmo, e outros diversos materiais. Cada atividade teve sua peculiaridade nos uso dos materiais e outras repetiram bastante. Após finalizados cada grupo apresentou para a turma o que confeccionou.

 

O grupo do alimenta-se sozinho fez engrossadores de garfo e faca que contém alças para facilitar que o José consiga segurar esses talheres com facilidade, já que a força muscular de pressão dele não é forte. O grupo também colocou velcro no corpo como se fosse alças, para ele segurar melhor, no entanto foi dito pelo grupo que esse material  não seria o melhor para isso por questão de higienização.

WhatsApp Image 2017-05-05 at 17.51.08 (3).jpeg
Órteses para a alimentação.

O aparador o grupo encontrou nawhatsapp-image-2017-05-05-at-17-51-09.jpeg sala de AVD e serve para que o José consiga colocar a comida no garfo.  O grupo colocou um EVA com uma textura mais crespa para que o prato não derrapasse enquanto o José cortasse e pegasse a comida.

O grupo de Higiene Bucal confeccionou também engrossadores devido ao comprometimento na preensão e colocou uma alça de velcro, que pode se ajustada dependendo do tamanho da mão do cliente.

WhatsApp Image 2017-05-05 at 17.51.09 (1)
Rose demostrando a órtese do seu grupo.

O grupo da escrita manual confeccionou algo parecido com uma órtese chamadaWhatsApp Image 2017-05-05 at 17.51.06 aranha mola que facilita na escrita. Foi feito usando apenas um pedaço de espaguete de piscina, fita adesiva preta e cola quente. A órtese tem três encaixes. O primeiro é o encaixe do dedo polegar, o segundo da caneta/lápis e o terceiro dos dedos indicador e médio. A órtese aranha mola custa em média R$60 e os matérias usados na órtese desse grupo pode ser encontrado em casa e é de baixo custo, podendo se produzir dezenas.

ortese

O grupo do jogar baralho, uma atividade muito importante para o José, confeccionou dois objetos que facilitariam que José jogasse sem ter que segurar as cartas. O objeto de cima tinha uns espaços para prender a carta e o de baixo deixava a carta encostada e existia uma facilidade maior de pegar e deixar a carta. Os dois objetos foram feitos com EVA e cola quente.

 

O próximo grupo é o do uso do computador. Eles confeccionaram uma órtese ortchamada Ponteira que tem como a função a digitação e apertar qualquer outro botão do teclado. Foi feito com EVA e palito de churrasco. Eles também colocaram alças para facilitar na hora do cliente utilizar.

O grupo do se babear também fez engrossadores para o aparelho de babear e para o pincel com EVA e espaguete de piscina.  Eles ressaltaram o uso do espelho estético, que aproxima a imagem da pessoa para facilitar na hora de se barbear.

WhatsApp Image 2017-05-05 at 17.51.07 (2)
Aparelho de babear e pincel com engrossadores.

fina.jpgE por último, o grupo da leitura, que foi o grupo que eu compus. O meu grupo e eu pensamos no processo da leitura e qual seria a dificuldade de José, e concluímos que a dificuldade principal devido a Lesão Medular seria de virar as páginas, pois necessita de um movimento de pinça bem delicado para isso. E pensando nesse movimento começamos a pensar em objetos que poderíamos criar que faria essa função de pinça, e por sorte achamos um pregador. Colamos dois palitos de sorvete no pregador, e logo o movimento de pinça-chave seria o suficiente para apertar os palitos de sorvete, que iriam apertar o pregador e o pregador que seguraria as páginas, podendo assim virar as páginas. E por fim, colamos com cola quente junto com um velcro para que pudesse ajustar dependendo do tamanho da mão do cliente.

Concluído, foi incrível ter essa experiência. Como futura Terapeuta Ocupacional sei o quanto é importante esse exercício de pensar o que se quer fazer, as etapas dessas atividades, se vai precisar de alguma adaptação e se sim o que pode ser utilizado. E dependendo do contexto, pensando no baixo custo, no que é acessível para o paciente/cliente.

Relato de experiência: brinquedos com sucata

Priscilla Maria C dos Santos – T.O. 10

No dia 17 de Abril as turmas de Terapia Ocupacional e Psicologia do 5° termo se juntaram para construir brinquedos com sucata (caixas de papelão, garrafas pet, rolos de papel e etc). A proposta foi feita pelas professoras dos módulos de ART III: atividades lúdicas e lazer e psicologia do desenvolvimento, para ser um momento interdisciplinar, em que as duas turmas pudessem pensar juntas a partir dos conhecimentos obtidos até o momento.

Os grupos foram divididos de acordo com as fases do desenvolvimento infantil, segundo Piaget: período sensório motor, pré operatório, operatório concreto e operatório formal. Vários brinquedos foram pensados e montados com os materiais que estavam dispostos ali e não poderia haver melhor atividade para uma segunda-feira de manhã chuvosa. Ao montar e apresentar os brinquedos, além de exercitar nosso raciocínio quanto as fases do desenvolvimento resgatamos a criança que vive dentro de nós.

Foi uma manhã muito proveitosa construir e partilhar esse momento com os nossos colegas de psicologia a tornou melhor.

Vivência: Aula de ART V

Dayane Alves – T.O. 10

Na sexta-feira passada, 31/03, na aula de saúde física, tivemos uma experimentação de deficiências. Primeiro, dividimos a sala em duplas para que a experimentação fosse vivida por todos, de forma rápida. Depois de formada duplas, pegamos papéis que a professora Eliana tinha separado e escrito algumas das deficiências que iríamos vivenciar. Eu e minha dupla, Ingrid pegamos a experimentação de ir até a biblioteca pegar um livro de Anatomia, sendo deficiente visual.

 

20170331_135925

Ingrid começou executando a tarefa primeiro e eu fui a “guiando” para descer as escadas. Foi muito difícil a tarefa de guiá-la, pois eu ficava muito preocupada. Quando descemos as escadas e seguimos pelo piso tátil, haviam algumas pessoas sentadas em cima dele, dificultando o acesso dela. Quando pedimos licença, para que ela passasse, as pessoas começaram a rir, comecei a sentir uma mistura de vergonha com raiva, mas seguimos com a tarefa. Dentro da biblioteca, Ingrid teve dificuldade de se locomover e perguntando a funcionária se ela poderia ajudá-la a achar o livro, não obteve a ajuda necessária, apenas algumas palavras que davam direções, tais como: “vai para esquerda”, “mais para frente”, “vira nesse corredor na direita”. Após sairmos da biblioteca, concluímos que ela só achou o livro pois já estávamos habituadas a andar pelo espaço da biblioteca e que se fosse outra pessoa teria muito mais dificuldade.

Depois da Ingrid, eu fui experimentar a vivência e achei muito difícil, pois me sentia insegura e totalmente no escuro. Tive muito medo de descer as escadas, tropeçar e cair. Tive os mesmos problemas com pessoas sentadas em cima do piso tátil, dificultando minha passagem. Tive vergonha com cochichos que escutava durante o trajeto.

Voltando à aula, conversamos sobre as experiência de cada dupla e eu pude perceber coisas simples que eu não percebia antes, como os pisos táteis. Refletimos sobre quais mudanças poderíamos fazer para haver a quebra das barreiras tanto físicas como atitudinais.

 

Experiência: Paralimpíadas

Nessa semana tive a oportunidade de ir assistir as Paralimpíadas Rio 2016. Assisti a dois jogos, o Vôlei Sentado, que jogou Brasil versus EUA, e o Futebol de 5, do Irã versus Turquia.

image

Eu já conhecia e tinha visto outras vezes o vôlei sentado. A modalidade é realizada com uma quadra menor que a do vôlei olímpico, a rede mais baixa, e os jogadores podem bloquear. Os jogadores soa deficientes físico, não são necessariamente com algum membro amputado, e podem conseguir ficar de pé porém não durante o jogo.

image

O futebol de 5 foi uma novidade para mim. A modalidade é praticada por atletas com deficiência visual. O futebol de 5 é disputado em uma quadra que segue as medidas do futsal, com algumas alterações nas regras tradicionais.
Os atletas de linha usam vendas nos olhos para evitar qualquer vantagem dos que apresentem percepção luminosa, enquanto o goleiro consegue enxergar normalmente. A partida é composta por dois tempos de 25 minutos cada, com intervalo de 10 minutos. O som dos guizos do interior da bola, o técnico, o guia (que fica atrás do gol) e o goleiro orienta os jogadores.

image

A experiência para mim foi muito boa! Fiquei muito feliz de ver a oportunidade da prática paralímpica, mas principalmente que as Paralimpíadas é para a sociedade reconhecer a prática. E observar também as reações das pessoas que não conheciam o esporte.
Durante o jogo aconteceram coisas muito interessantes. Por exemplo, na hora de bater uma falta em que o guia que fica atrás do gol bateu com um bastão de cada lado do gol, nas traves para mostrar o espaço. Os dribles e a comunicação entre os jogadores era muito boa.

 

Experiência: Escravos de Jó

Na segunda feira, 29/08, vivenciamos na aula de Abordagem Grupal durante a recepção dos alunos um jogo.

Crianças em roda.jpg

O jogo era o Escravos de Jó, porém em vez de jogarmos com objetos, como eu conhecia, jogamos com o corpo. O jogo começou bem, tínhamos que trabalhar a coordenação e o movimento. Porém, a cada rodada algo complicava. Primeiro soltamos as mãos um dos outros para mas tínhamos que continuar em roda, depois não podíamos cantar a música e, ainda sem as mãos dadas, fazer os movimentos. Em seguida, os coordenadores do grupo colocaram vendas em algum dos participantes, em outros amararam os braços ou as pernas, e em outros colocaram fone de ouvido com música alta. E assim tínhamos que continuar a fazer os movimentos.

Eu fui vendada, e para mim foi muito difícil vivenciar aquilo. Eu não sabia muito bem como fazer já que antes a única coisa que me guiava era olhar para os colegas e segui-los.Na primeira rodada fizemos sem dar as mãos, pulando com os pés juntos mas ainda cantávamos a música.  Eu ia me guiando pela voz das pessoas, mas me parecia que eles estavam cantando atrás de mim, e no final da rodada, quando fui desvendada eu estava mais para o meio da roda que os outros.  Depois fizemos uma rodada sem cantar a música e aí eu me concentrei em fazer os movimentos e pensando na música na minha cabeça, mas me perguntei depois em como seria se eu não conhecesse a música, ou se nunca tivesse escutado ou pudesse escuta-la também.

Depois conversamos sobre o jogo. Foi uma experiência para vivenciarmos algumas dificuldades e pensar em adaptações dos jogos e formas de aplica-los para diferentes grupos.

Experiência: Ponte das dificuldaes

Bárbara Petraglia – T.O. 10

Normalmente no inicio das aulas um trio ou dupla propõe uma atividade de acolhida ao grupo, chama de recepção, para que todos possam iniciar a aula e criar um bom clima entre todos. Na aula de Abordagem Grupal, do dia 15/08/2016, foi proposta como recepção a seguinte dinâmica para o grupo:

1- O animador/a pede para que se dividam em 2 grupos e cada um se posicione numa extremidade da “ponte” (pode ser feita de barbante com 40cm de largura e 1,5m) no chão. 2- O animador/a explica a dinâmica: no centro da sala temos uma “PONTE”. De um lado temos um abismo; do outro, uma montanha. Todos deverão passar na ponte sem cair, e isso vale para os dois grupos.
3- Em cada grupo há pessoas com alguma necessidade especial para atravessar a ponte (pode ser cego, bêbado, grávida, etc.)
4- Os grupos podem combinar estratégias para ultrapassar a ponte e, depois de feitas as combinações, os grupos fazem o trajeto para atravessa-la.
5- O animador/a lembra que essa passagem pode ser fácil ou difícil e que neste trajeto encontraremos outras pessoas e precisaremos delas para nos ajudar, precisaremos saber negociar, é como na vida diária.
6- O animador/a dá o sinal de inicio e as equipes começam ao mesmo tempo seu trajeto

14054857_1142958862442907_1357888576_n

Quando explicamos a dinâmica para o grupo, dissemos que o grupo que atravessasse primeiro venceria, e que valia tudo na hora de atravessar.

Como eu estava como recepcionista achei muito interessante a experiência. Pude observar as pessoas na dinâmica, e depois pudemos discutir sobre como tinha sido o decorrer da atividade. Foi citado, muitas vezes, sobre a questão da competitividade, e como algumas pessoas durante a dinâmica deixavam de se importar com a questão da cooperação e os objetivos da dinâmica pois queriam ganhar.

Achei muito legal que a atividade de recepção continuou nas discussões durante a aula, e nos fez refletir sobre diversos pontos e aspectos que devemos trabalhar em nós mesmos e no grupo. Sobre como é o nosso olhar para o grupo e para a atividade, sobre as potencias de cada um e o jeito singular de cada um realizar as atividades, e o efeito que a dinâmica pode gerar individualmente e/ou no grupo.